As consultas das empresas em busca das linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o principal banco público de fomento do país, cresceram expressivos 40% entre agosto e outubro deste ano, contra o mesmo período do ano passado, somando R$ 52 bilhões em pedidos, informou, nesta terça-feira (18), o presidente da instituição, Luciano Coutinho.
O período coincide com o agravamento da crise financeira internacional, que mostrou forte piora após o anúncio de concordata do banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers, em meados do mês de setembro.
"Parte representa um deslocamento de demanda [de uma empresa que não conseguiu crédito em um banco privado e, por isso, recorreu ao BNDES]. Mas a maior parte representa novos projetos", afirmou Luciano Coutinho, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal.
Crédito para exportação
Luciano Coutinho informou ainda que a liberação de crédito para exportação, pela instituição, somou US$ 4,5 bilhões neste ano, até o mês de outubro, o que representa um crescimento de 44,5% sobre o mesmo período do ano passado (US$ 3,12 bilhões). Para todo este ano, a expectativa de Coutinho é de que o BNDES empreste cerca de US$ 6 bilhões para financiar as vendas externas brasileiras. Somente em outubro, informou o BNDES, os valores para exportação são 115% superiores à média de janeiro a setembro deste ano.
Após a piora da crise financeira internacional, a escassez das linhas de crédito para alguns setores da economia, como exportadores, agricultura e para capital de giro, foi uma das principais dificuldades enfrentadas pelos empresários brasileiros. Além de liberar compulsório, o governo tem atuado por meio da liberação de linhas de crédito. Para os exportadores, além da atuação do BNDES, o governo tem feito leilões de dólares para os bancos financiarem as operações. Mais de US$ 4 bilhões já foram emprestados pelo BC para os bancos repassarem aos exportadores.
Desembolsos totais
Segundo o presidente do BNDES, os desembolsos da instituição subiram de 2006 para 2007 e devem continuar avançando neste ano. Em 2006, informou ele, a instituição financeira emprestou R$ 51 bilhões, valor que subiu para R$ 65 bilhões no ano passado. Nos doze meses até outubro de 2008, acrescentou ele, os empréstimos totalizaram R$ 86,6 bilhões. "Certamente alcançaremos, ao fim de 2008, uma marca próxima de R$ 90 bilhões em desembolsos", disse Coutinho.