Um financiamento ao comércio exterior realizado em 1º de abril marcou a reabertura das operações no Brasil da Caixa Geral de Depósitos (CGD), maior instituição financeira de Portugal. A beneficiada foi uma empresa brasileira que exporta 95% da produção, contou a presidente da CGD no Brasil, Deborah Stern Vieitas.
A CGD reabriu as portas no Brasil em fevereiro, com um capital inicial de R$ 123 milhões e colocou US$ 600 milhões à disposição do novo banco para crédito ao comércio exterior e outros financiamentos, além de manter as linhas para as instituições brasileiras, que envolviam volume semelhante. O quadro de pessoal é de 30 funcionários e vai chegar a 35.
"O Brasil atingiu uma estabilidade econômica, financeira e política que atrai investidores do mundo todo, não só da península ibérica", disse Deborah. Esse sucesso se deve ao fato de o país ter enfrentado a crise "nas melhores condições possíveis em reservas, solidez do sistema bancário e inadimplência". Além disso, segundo a executiva, o governo adotou os instrumentos fiscais e de política monetária acertados para enfrentar a situação.
A carteira de operações já em estudo inclui o financiamento de investimentos de empresas portuguesas no Brasil, de setores bem diversificados, de hotelaria a edição de livros e também de projetos de infraestrutura.
O leque de produtos passa por empréstimos em moeda local, como capital de giro e repasses do BNDES; financiamento de exportação e importação; garantias bancárias e fianças. Há ainda as atividades típicas de banco de investimento como a assessoria de operações de fusões e aquisições, dívida estruturada e financiamento de projetos. A CGD é a sexta maior no financiamento de projetos na Europa.
As atividades são eminentemente de banco de empresas, mas há alguns negócios para pessoas físicas como a captação de recursos com a emissão de certificados de depósito bancário (CDB) e a venda de fundos; e a compra e venda de moeda estrangeira em volumes superiores a US$ 59 mil.
Deborah vê também boas oportunidades no apoio a empresas brasileiras com projetos na África, especialmente em Angola, onde a CGD está assumindo o controle do BTA, banco que era do grupo português Totta e Açores, que foi adquirido pelo espanhol Santander.
Além disso, está assessorando o governo local na implantação de um banco de desenvolvimento, nos moldes do BNDES, com o qual dividirá o capital de € 800 milhões em partes iguais.
Controlada pelo governo português, a Caixa está no Brasil desde 1919, autorizada por decreto imperial de 1887, quando abriu a Agência Financial de Portugal. Em 1982, assumiu uma participação de 4,58% no Itaú. Em 1998, comprou o Banco Bandeirantes, do empresário mineiro Gilberto Faria. Em 2001, concluiu que era difícil disputar o varejo brasileiro e vendeu o Bandeirantes ao Unibanco. Em troca, ficou com uma participação acionária de 12,3% no Unibanco; e começou a se desfazer das ações do Itaú. Em 2005, a CGD vendeu a participação no Unibanco no mercado apurando R$ 1,534 bilhão.
Mas, manteve o contato com mercado e as linhas para os bancos locais. Em 2008, resolveu voltar a atuar diretamente no país, com operações próprias, focada nas áreas de atacado e de investimentos, como parte de sua estratégia de internacionalização.
Com € 109,95 bilhões em ativos e patrimônio de € 5,2 bilhões, a Caixa Geral de Depósitos é o maior banco português, com uma fatia de 30% de um mercado já maduro, com crescimento moderado. Daí o interesse em voltar ao mercado brasileiro, com bom potencial de crescimento, mas com uma nova estratégia, de se concentrar em operações de banco de investimento e de atacado.
O presidente do conselho de administração do CGD Brasil é Rodolfo Lavrador; o vice, Jorge Tomé, ambos do banco português.